terça-feira, 24 de agosto de 2010

Cap. IV e final - Bel Saboya no "Conte sua História no Menu!"

...Embarcaria no dia seguinte já sabendo que aquela viagem seria um divisor de águas em minha vida.


Parti com o coração partido, dividido, pequeno. Vivi ali um sonho, mas tinha que retornar à vida real. Minha família e meu trabalho me esperavam. Oito longos meses nos separariam, até que ele voltasse ao Brasil para as festas de fim de ano. Se tudo o que sentíamos fosse realmente forte e verdadeiro, aguentaríamos essa espera. Foi difícil e dolorido, mas o tempo e a distância só fizeram aumentar a certeza do meu sentimento.

Eu via sinais em tudo. Comecei a prestar atenção neles e a acreditar que havia uma força maior atuando para que esse nosso encontro não ficasse apenas como uma linda lembrança de uma viagem inesquecível. Acreditei que fosse algo muito maior.

Cada vez que pensava nele eu conseguia materializá-lo, ouvir sua voz e sentir o seu cheiro. Eu sentia meu coração bater mais forte e dele partir uma corrente de adrenalina percorria meu corpo todo. As reações eram físicas e eu nunca tinha experimentado tais sensações e pensava comigo:Isso só pode ser amor, não tem outra explicação. É amor!

Esse sentimento me deu forças para viver essa longa espera. Posso dizer que foram os meses de maior angústia que já vivi, mas paradoxalmente, os mais felizes. Fui levando minha vida de forma que a única coisa que importava realmente era o dia de revê-lo. Nos encontraríamos no Rio de Janeiro, sua cidade natal.

Quando finalmente nos reencontramos (e novamente foi em um aeroporto), foi um baque. O tempo, querendo ou não, deixa sequelas e éramos dois estranhos apaixonados. Teríamos que nos reaproximar novamente e recomeçar a nossa história, agora em um outro hemisfério.

Pouco a pouco fomos superando as barreiras que naturalmente se criaram entre nós ao longo de todo esse tempo separados e descobrindo juntos que fomos realmente talhados um para o outro. Ele me apresentou à sua maravilhosa família, que me acolheu de braços abertos e de imediato incentivou nosssa união. E novamente estávamos conectados, vivendo momentos de intensa paixão. Porém, teríamos que nos separar novamente, pois ele ficaria pouco tempo no Brasil. Mais provações se colocariam em nosso caminho.

A partir daí tentamos nos acostumar a isso e a conviver com esse cenário, pois passaríamos ainda por muitas chegadas e partidas, idas e vindas. Nos veríamos em sonhos e viveríamos de lembranças, sempre contando os dias para um novo reencontro.


Até que, em 1999, pedi demissão do meu trabalho, larguei tudo no Brasil e me mudei para Bali. Era a única maneira de ficarmos juntos. Morava com meus pais, que na época não apoiaram essa decisão. Eles achavam que eu estava cometendo uma loucura. Minha mãe chorou muito, mas eu estava decidida.

Me adaptei muito facilmente à vida em Bali. Em pouco tempo já estava falando a língua, trabalhando e dirigindo naquele trânsito maluco. Contudo, não foi só um “mar de rosas”, houveram algumas dificuldades
que tive que enfrentar. Além disso, sentia saudades da minha família e amigos. Mas apesar de tudo não houve um momento de arrependimento sequer. Fiz a escolha certa!

Viajamos muito pela Indonésia e conheci lugares incríveis, isolados e inóspitos. Tivemos a oportunidade de voltar a Gilli Trawangan e fizemos juntos um curso de mergulho que foi uma das melhores coisas que fiz na vida! Aliás nossa relacão sempre foi pontuada por novas experências, Se não fosse por ele talvez nunca tivesse conhecido o fundo do mar e a sensação de voar. Ele me levou para a Áustria para esquiar e quando vi a neve pela primeira vez, chorei.



Em meados de 2000 voltamos juntos para o Brasil e aqui estamos desde então.

Nos casamos em 2002, no Rio. Muitos amigos que conheci em Bali estavam presentes na cerimônia. Muitos deles testemunharam esse amor nascendo. Faltou o Reinaldo, que foi o “anjo” que fez com que nossos caminhos se cruzassem, mas torceu muito por nós, tenho certeza. Foi uma festa contagiante que serviu como consagração dessa linda história.

Meu presente de casamento para o Felipe foi um cavalo marinho tatuado na nuca para reafirmar o meu amor e coroar o nosso encontro.

Em 2003 nasceu a linda e doce Luiza. Três anos depois chegou o carinhoso e divertido Lucca, que parece ter herdado do pai o gosto por esportes radicais.

O Felipe me mostrou então uma nova faceta que até então não conhecia – a do pai maravilhoso que ele é. Nossos dois filhos são nossa maior fonte de amor e orgulho. Frutos benditos da nossa união. União essa que será eterna, pois descobrimos que os casais de cavalos marinhos ficam juntos para sempre. Sabiam?

E hoje, se alguém me perguntasse:

- Por que Bali?

Responderia sem piscar:

- POR AMOR!


PS: Quando essa matéria for publicada, não estaremos mais morando no Brasil. Decidimos voltar ao lugar onde nos conhecemos. Queremos dar aos nossos filhos o privilégio de viver uma vida mais tranquila, mais livre e mais junto à natureza. E a nós a oportunidade de resgatarmos um pouco de tudo isso que contei aqui.


Todo o crédito do texto é da própria Bel Saboya.


Izabel Saboya é consultora de turimo em Bali. Para maiores informação, acesse http://www.casabali.com.br/viagem_de_compras.html
Felipe Saboya é agente de compras e exportação de móveis e objetos da Indonésia. Para maiores informações acesse http://www.casabali.com.br/

9 comentários:

Taia Assunção disse...

Que lindo...e tem como duvidar que Amar é possível e viável?! Amei a história deles. Beijocas!

Ise disse...

Amei.........
Eu já estava nervosa querendo saber o fim desta linda história de amor
adorei o seu blog e vou seguir sempre
Beijos Querida....

Letícia disse...

Meu Deus!! Pura emoção essa história!! Que lindo, Bel!!

Que Deus abençoe sua família para sempre!!

Bjux!!!

Fer disse...

Amei, essa moca escreve muito bem...fui pra Bali com ela.


beijos


Fer

Cris Marcelino disse...

Vanessa, adorei seu blog, as histórias, já estou seguindo porque quero acompanhar, Parabéns! O mais importante é isso mesmo, fazer o que gosta e faz bem! Parabéns, me visite - Cris - http://encantosepresentes.blogspot.com

bel saboya disse...

Obrigada meninas pelos comentários.

Escrevi esse texto em 2008, com a finalidade de participar de um concurso. Não ganhei o prêmio, mas adorei ter revivido e escrito essa história que agora divido com vocês.

Beijos from Bali!!

Katia Bonfadini disse...

Bel, que linda história de amor e aventura!!!!! É muito bom perceber que o amor pode resistir ao tempo e à distância! Parabéns por ter corrido atrás do seu sonho, é preciso ter coragem pra isso! Um grande beijo e te desejo muitas felicidades sempre! Vanessa, amei essa seção!!!!!!

sabrina disse...

que linda essa historia!

sabrina disse...

que historia maravilhosa!!!
quero ir a bali.

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